análise
de conjuntura:
Do ponto de vista geográfico a Região do Vale do Aço, esta localizada em Minas
Gerais, cortada pela BR 381 a 200 km da capital mineira Belo Horizonte. O aglomerado
urbano da região do Vale do Aço é composto pela cornubação de Ipatinga, Coronel
Fabriciano, Timóteo e as demais cidades do entorno. Configura-se como a área
de maior importância do Rio Doce. É um conjunto urbano de aproximadamente 400
mil habitantes, sendo que Ipatinga é a principal cidade do aglomerado seguida
de Coronel Fabriciano e Timóteo.
No tocante a economia, a região do Vale do Aço apresenta circuitos econômicos
diferentes, responsáveis não apenas pelo processo econômico urbano, mas também
pela forma de organização espacial. Ipatinga e Timóteo abrigam siderúrgicas
de grandes portes (USIMINAS e ACESITA) respectivamente. A cidade de Coronel
Fabriciano, acampa predominantemente o comércio, não possuindo uma siderurgia
de grande porte apesar de ter sido a base inicial para a formação dos municípios
de Ipatinga e Timóteo. A Usiminas lidera o "Sistema Usiminas", o maior complexo
siderúrgico da América Latina, formado por empresas que atuam em siderúrgia
e em negócios onde o AÇO tem importância estratégica. Já a Acesita, produtora
de aço inoxidável, com um crescente aumento em sua produção nos últimos anos
chegando hoje a um milhão de tonelada por ano. Neste contexto, vale ressaltar
ainda que a Região do Vale do Aço se situa as margens da BR 381 que faz a ligação
entre Minas Gerais, o Nordeste e o sul do país. Outro acesso diz respeito a
linha férrea Vitória - Minas, que interliga Belo Horizonte ao complexo portuário
do Espírito Santo.Tal acesso criou condições competitivas no escoamento do Aço
para todo o Brasil e também para o mercado internacional.
A arrecadação do município de Coronel Fabriciano fica a quem dos outros municípios
citados.
Devido a essa disparidade Coronel Fabriciano sofre de uma inércia econômica
e política, revelada em grandes problemas sociais, urbanos e ambientais, demandando
dos profissionais da arquitetura um novo olhar para a referida questão. Assim,
nosso objeto de estudo esta em Coronel Fabriciano, cidade que nasceu em função
da linha férrea, onde instalou-se o comércio, originando uma forma de ocupação
desordenada em morros e encostas.
o
local e a proposta de intervenção:
O local escolhido para a intervenção é a região do Caladinho: Caladinho de Cima,
Caladinho do Meio e Caladinho de Baixo. Apesar de ser um só bairro, são classificados
assim por serem cortados pela BR-381. O Caladinho é um bairro periférico pertencente
a cidade de Coronel Fabriciano, onde esta inserido o Campus Universitário do
Unileste-MG. A problemática das inundações que assolam o bairro anualmente no
período das chuvas bem como sua alta densidade demográfica explicam nossa escolha.
As enchentes devem-se a existência de um córrego que corta todo o bairro, onde
escoa o esgoto a "céu aberto", agravado pelo lançamento indiscriminado de lixo.
Percebemos também que nas casas situadas as margens do córrego, uma grande parte
possui mobiliários no nível superior, caracterizando, o medo da enchente bem
como, a falta de solução do poder público.
Em conversa informal com os moradores do bairro Caladinho fica evidente que
o que mais os aflige é o medo da desapropriação.
Frente a essa subjetividade contraditória apresenta-se o posicionamento deste
projeto. Faz-se notório que as soluções apresentadas pelas autoridades governamentais
mostram-se paliativas, sendo insuficientes para a qualidade de vida das famílias
ali residentes. Tal problema agravou-se em função da canalização parcial do
córrego referido. Há evidencias de conflitos de interesses e/ou negligencia
do poder público já que privilegiou-se como área de canalização apenas a BR
381 e o estacionamento do campus universitário(Unileste-MG).
Partindo de pressupostos que tal problema mostra-se sem solução imediata, o
projeto propõe uma maneira de conviver melhor com este. Para isso, pensamos
na criação de equipamentos e estratégias, ao longo de todo o córrego existente;como
as lagoas, os grandes bolsões, os vales, as interferências na topografia do
terreno e o reflorestamento no bairro carente de vegetação, que irão conter
a força da água, direcioná-la e facilitar o seu escoamento.
Em conseqüência disso, novas tipologias foram criadas, para as novas habitações,
elevadas sob pilotis, invertendo a lógica do terraço ,"remodelamento o modo
de habitação", ou seja, uma INVERSÃO das funções de moradia. Essas novas casas
serão implantadas nas áreas de vale, que são muito prejudicadas nas épocas de
cheia. E também para casas que serão remanejadas para implantação das lagoas,
que além de conterem a água da chuva geram espaços de convívio, sob os tablados
e passarelas .Apesar desse remanejo, os moradores não perderão a relação de
vizinhança existente no local, mesmo tendo suas casas elevadas sob pilotis.
Para o sucesso do nosso projeto todo esgoto recolhido ao longo do percurso do
córrego, passaria por uma ETE (Estação de tratamento de esgoto) antes de ser
lançado no rio.
Logo o projeto foi implantado ao logo de todo o córrego existente no bairro
caladinho, visando melhorar a qualidade de vida da população, sustentado com
equipamentos e estratégias eficazes, para a problemática existente, invertendo
apenas a lógica dos espaços das habitações e zelando por mantê-los no mesmo
local, potencializando as práticas cotidianas tão comum no bairro.
fundamentação
da proposta no estatuto da cidade:
Direito de superfície: O proprietário, sem perder a propriedade, poderá conceder
a outra pessoa, por tempo determinado ou indeterminado, o direito de utilizar
o solo, o subsolo ou o espaço aéreo de seu imóvel, respeitada a legislação urbana.
Direito de preempção: O município terá preferência na compra de imóvel urbano,
situado em área previamente delimitada por lei municipal, assegurado seu valor
de mercado, e desde que a aquisição do terreno pelo poder público atenda a finalidade
estabelecida naquela lei.
Operações urbanas consorciadas: São um conjunto de medidas e intervenções coordenadas
pelo Município com a participação dos proprietários, moradores, usuários e investidores
privados, operando uma transformação urbanística em uma determinada área da
cidade, para atingir melhorias sociais e valorização ambiental.